Relacionamentos

Chegando nos 30 e não tenho namorado

Então, ela chegou à terceira década sozinha, sem um namorado ou crush, como é a moda agora. Ela teve alguns relacionamentos que não deram certo no passado, já sentiu o gostinho de ter um parceiro de vida, mas, devido aos altos e baixos, cada um seguiu para um lado. Ela se culpou muito pensando que deveria ter tentado mais ou mudado por alguém, mas, no fim das contas, talvez ela esteja se redescobrindo com as responsabilidades e sentimentos que chegam junto dos 30 anos.

Ela é realizada profissionalmente, tem um bom cargo dentro da área dela, mas sempre sofre aquelas piadinhas dos colegas “vai ficar pra titia, hein”, “algum contatinho novo?”, “vai à festa de final de ano sozinha?”. Sem falar nas reuniões de família, em que sempre tem um tio que comenta “tá batendo na tecla dos 30 hein”, ou “é agora ou nunca”. Felizmente, ela é empoderada e sabe que pode ser feliz sozinha. A premissa que há muito tempo é imposta à mulher pela sociedade – a de que ela só pode ser realizada se tiver um homem ao seu lado – é falsa.

Em outros tempos, com 30 anos, ela já seria mãe, casada e a vida estaria feita, era só criar os filhos e esperar os retornos.  Hoje, ela primeiramente se conhece, viaja para alguns lugares diferentes, tem uma boa experiência de vida e segue acreditando em um novo romance, alguém que desperte nela aquele “friozinho na barriga”. Não é porque ela está com 30 que isso não possa acontecer. Pode haver ansiedade para o primeiro encontro, o sorriso dela ao vê-lo, a felicidade quando ele abre a janela do whats dela, a surpresa inesperada ao encontrar algum recadinho nas coisas dela dizendo “adorei a noite”. Enfim, as pequenas coisas que fazem qualquer mulher, independente da idade, pensar, crer e confiar que isso ainda existe e renova a alma dela.

A rotina dela é bem cansativa: é trabalho, academia, happy com as amigas e no domingo ainda tem aquele almoço com a família seguido por um cineminha para desopilar. Por muito tempo, ela andou meio “desacreditada” no amor e, muitas vezes, questionou-se sobre chegar nessa idade e não ter ninguém. Ah, mas no fundo ela tem aquela alma de menina e acredita que o amor vem para os distraídos, que pode acontecer no estacionamento do shopping, em um esbarrão na rua, na corrida em volta ao parque, quando ela levar o cachorro no pet, em uma viagem a trabalho, quando ela sair para beber sozinha ou até na fila da padaria. O que ela não acredita é que acabou por aí.

Ela é apaixonada pela vida, realizada com os 30 anos, já sabe o que faz bem para a alma dela e o que não faz tanto, ela continuará abrindo seu coração para as boas novas, fazendo novas amizades e permitindo-se conhecer alguém novo, sem pressa, sem pressão, sem prazo, sem dias contados e sim com dias bem vividos, com a alegria que ela carrega da vida e com a sua própria luz que vem de dentro.