Relacionamentos

Realização pessoal x realização profissional

A grande questão dos dias de hoje, que envolve grande parte da população, revira o sono e faz muita gente sofrer com certa ansiedade é a realização pessoal versus a realização profissional. Seria esse um dos males do século XXI? É o tempo da geração Y, tão conectada, insegura e, ao mesmo tempo, cheia de oportunidades pela frente.

A chamada estabilidade pessoal, que todos nós procuramos e queremos adquirir, depende de uma série de aspectos, como um bom relacionamento com a família, ter um(a) parceiro(a) de vida, saúde e realizar as atividades que nos deixam felizes em nosso tempo livre. Porém, o ponto-chave da questão – de um modo geral, considerado o mais importante atualmente – deve ser levado em conta: o profissional.

A maioria dos colaboradores e até mesmo grandes executivos de empresas questionam-se o tempo todo: estou fazendo o meu máximo pela organização em que atuo? O que mais posso fazer no meu trabalho? Sem falar na correria que passamos, quando no fim do expediente lembramos que: “putz, faltou tempo no meu dia”, mas posso fazer em casa ou ir outro dia mais cedo?

Uma pesquisa realizada em Boston e Los Angeles em 2015 apresenta dois fatores de extrema importância e um pouco assustadores. O estudo indica que 18,5% dos funcionários trabalham mais de 20 horas por semana em casa durante o tempo (que deveria ser) pessoal, e que 65% dos funcionários acreditam que seus chefes esperam que eles estejam disponíveis fora do horário de trabalho e do escritório, seja por telefone ou e-mail.

Infelizmente, isso acaba não sendo tão diferente no Brasil, pois grande parte da população leva para casa certa demanda de trabalho – o que é mais conhecido como “home office”, uma expressão bonitinha que utilizamos. A insegurança nos faz sempre dar uma olhadinha no grupo do whats do trabalho, na caixa de e-mail e até mesmo cuidar alguma chamada perdida do chefe.

É fato que, nos tempos de hoje, a realização profissional acaba sendo mais importante e tem maior valorização do que a vida pessoal. Na teoria, elas deveriam andar juntas. Entretanto, na prática, as coisas mudam, pois o desenvolvimento profissional envolve, afeta e influencia o fato de termos uma vida tranquila.

Às vezes, é preciso deixar de lado a pressão que sofremos por tentarmos desenvolver nosso melhor no local de trabalho, que acabou se tornando um hábito “normal” em nossas vidas. Vale a pena chamar um amigo para ir beber chopp, sentar no parque para ler um livro, desopilar em uma aula de pilates, conhecer aquele tão desejado e saboroso café que abriu na cidade, dar uma chance para o contratinho que conversou contigo ontem no aplicativo, voltar às aulas de alemão e até mesmo para o grupo de trabalho voluntário.

A vida não pode ser só trabalho, pressão e prazo para cumprir. Precisamos nos permitir e viver mais com as atividades que nos fazem bem. O amanhã, quem sabe mesmo é só o cara lá de cima, que nos guia e orienta para o melhor caminho. Então, sem muito estresse e neura, um passo de cada vez, e tudo bem se eu, tu, eles, #everyone não verificarmos a caixa de e-mail daqui uma hora. Partiu fazer a trilha que tanto queremos, na volta, respondemos damos um retorno, afinal hoje é domingo, é #dayoff.